Por: Pecsa On: novembro 04, 2020 Em: Na mídia Comentários: 0

O modelo de pecuária sustentável intensificada utilizado pela empresa PECSA – Pecuária Sustentável da Amazônia em Mato Grosso é capaz de produzir carne emitindo quase oito vezes menos gases de efeito estufa (GEE) do que a pecuária convencional realizada em pastagens degradadas. Esse é um dos principais resultados de um estudo realizado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

O sistema desenvolvido pela PECSA consiste em reformar pastagens degradadas e implantar um padrão com alta produtividade e sustentável, baseado na adoção de boas práticas agropecuárias, como o manejo rotacionado das pastagens e a suplementação nutricional, dentre outros.

Esse modelo aumenta muito a eficiência do sistema, permitindo encurtar o ciclo de produção em um terço e, ao mesmo tempo, reduzir a emissão de gás metano em quase 40%. Além disso, promove a recomposição do estoque de matéria orgânica no solo da pastagem reformada. Com isso, consegue-se uma redução no balanço total das emissões de gases por quilo de carne produzida que chega a 88%.

De acordo com o estudo, se o modelo sustentável for aplicado em escala até 2025 no estado do Mato Grosso, poderá se evitar a emissão de 13 milhões de toneladas de CO2. O volume representa quase 2,2 % do total anual de emissões da agropecuária brasileira.

Para o diretor de Governança e Investimento da PECSA, Laurent Micol, “o mundo se pergunta como é possível produzir alimento e reduzir as emissões ao mesmo tempo. A resposta, no caso da pecuária na Amazônia, está na adoção de boas práticas. São poucos setores nos quais ganhos de eficiência podem gerar benefícios tão significativos”.

O coordenador de projetos do Imaflora e responsável pelo estudo, Ciniro Costa Júnior, destaca o ineditismo do estudo. “Diferentemente de outros estudos que avaliaram as emissões da pecuária de forma genérica, esse é o primeiro que faz uma comparação direta entre dois sistemas utilizando todos os parâmetros que são aplicados a partir das diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), e assim, demonstra em detalhes os efeitos das novas práticas na redução das emissões de GEE”, explica.

Saiba mais
A fermentação entérica durante a digestão produz metano, que é a principal fonte de emissões de GEE da pecuária. Mas a quantidade de metano produzida varia fortemente de acordo com a digestibilidade da dieta. Com uma nutrição mais rica e equilibrada tanto na recria a pasto quanto na engorda em confinamento, as emissões por cabeça da PECSA, referentes apenas à fermentação entérica, são de 1,33 tCO2 ao ano contra 2,15 tCO2 no sistema convencional.

O manejo de pastagens fornece uma fonte estável de alimento de qualidade, inclusive durante a estação seca, o que aumenta a produtividade em geral, não só pela qualidade do pasto como pela disponibilidade durante todo o ano. A digestão do gado da PECSA apresenta melhora de 15% a 43% quando comparada à alimentação com pastagens degradadas.

A alta produtividade da PECSA também promove uso mais eficiente da terra. Para produzir a mesma quantidade de carne que se produz em pastagens degradadas, o sistema PECSA utiliza entre 92% e 94% menos terra. Isso acontece porque enquanto no sistema tradicional há a distribuição de um animal por hectare, na PECSA essa quantidade varia de 3,5 a 5 animais. O tempo de criação também é reduzido. No sistema tradicional o prazo para abate varia de 36 a 40 meses, já na PECSA o gado é enviado para abate entre 20 e 24 meses.

O estudo
A análise do Imaflora foi feita com base no Guia para Inventário de Emissões Nacionais de Gases de Efeito Estufa do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), de 2019 e no Inventário Nacional de Emissões do Brasil, de 2015, realizado pelo Observatório do Clima. As análises foram feitas considerando somente as duas fases finais da pecuária (recria e engorda) dentro das fazendas da PECSA. Na pecuária, são consideradas fontes de emissão: os animais (digestão e excretas), o diesel utilizado pelos tratores e os fertilizantes. O estudo analisou o balanço das emissões de todas as fontes.

Sobre a PECSA
A PECSA é uma empresa de gestão agropecuária criada em 2015, financiada pelo Fundo de Clima Althelia/Mirova. Por meio de parcerias com as fazendas, a PECSA fica responsável pela reforma das pastagens e instalação de infraestrutura, e assume a gestão da atividade pecuária, que se concentra nas fases de recria intensiva a pasto e a engorda em confinamento. Atualmente, administra seis fazendas, com 9,200 hectares e 30 mil cabeças de gado. A PECSA é sediada em Alta Floresta, na região norte de Mato Grosso.

Sobre o Imaflora
O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995 sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e à gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer a diferença nas regiões em que atua, criando modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em diferentes municípios, regiões e biomas do país. Mais informações: www.imaflora.org

Veja aqui o estudo completo.

Coluna Radar, da Revista Veja, e Revista Globo Rural repercutiram o estudo:
Clique aqui e leia a matéria da Coluna Radar.

Clique aqui e leia a matéria da Revista Globo Rural.